Célestin Freinet (França 1896 – 1966) – pedagogo humanista, professor primário que realizou avanços e conquistas no espaço da educação destinada às crianças. Preocupado com uma educação crítica e construtiva, através de seu método natural de ensino e aprendizagem, construído durante seu trabalho no ensino escolar, nos orienta na formação de cidadãos integros e capazes de construir sua autonomia individualidade e social, visando a construção de uma sociedade mais justa, democrática e pacífica. Criou o Movimento de Escola Moderna e Democrática, se identificava com a corrente da Escola Nova anticonservadora.
“O papel do educador será primeiro o de despertar – ou antes conservar – na criança suas forças vivas que condicionam a verdadeira educação: depois colocar os alunos em condições de satisfazerem suas necessidades, fornecendo-lhes todos os elementos que contribuirão para sua instrução e educação."
(Freneit 1978, p.63)
Destaca para a educação princípios, técnicas, instrumentos e a sua função social e política.
Para Freinet o tateamento experimental é uma das leis mais importantes da natureza. Assim, a autonomia é construída a partir do trabalho que se realiza no processo de ensino e aprendizagem, deixando a criança experimentar, ajudando-a na organização e construção desse conhecimento.
Período de exploração tateada - primeiro ano de vida - fase de contatos e de experimentação sensorial com o mundo em volta;
Período da arrumação – do primeiro aos quatro/cinco anos - capaz de aprofundar seus tateamentos, em torno de suas necessidades mais imediatas, dos mistérios do mundo que a cerca, podendo inclusive realizar pequenos trabalhos, que não exijam maior concentração ou desgaste de energias;
Período do trabalho - após os cinco/seis anos. A criança sai do “ninho”, em busca de espaço. Começa então a realizar atividades que não satisfazem apenas suas necessidades funcionais como levam-na a dominar o meio e a aumentar a sua potência.
Ler: Ensaio de Psicologia Sensível
O texto livre é parte de um conjunto de práticas não é apenas um apêndice do trabalho escolar. Ele integra a expressão livre, a qual inclui desenho, dança, teatro, música etc. Todas estas práticas estão interligadas, sendo o texto livre, o motor de arranque. “O texto livre não subsiste sozinho”. É um elemento central de uma práxis totalizante. Contempla não apenas o social como também o individual. “Na pedagogia Freinet é o mais social que garante o mais pessoal.” A liberdade do texto reside no modo de socialização a que é facultada a sua prática.
Ler: C. Freinet. O Método Natural I – A aprendizagem da língua.
Construção social do conhecimento. "Ninguém avança sozinho em sua aprendizagem, a cooperação é fundamental". A criança deve inserir-se e participar ativamente do meio social – cabe à escola, formar hábitos de convivência social que rompam com o individualismo e a competição capitalista. A cooperação é construída não através de discursos mas da vivência cooperativa compartilhada de práticas materializadas desenvolvidas no trabalho junto aos educadores e também assim deve ser na prática social. Quais são os exemplos que temos desenvolvido na escola?
Registro da história que se constrói diariamente. Forma de documentar os processos e práticas pedagógicas realizadas no dia a dia escolar, documentação e o registro para constituir a história e a identidade escolar etc. Fereinet deixou muitos exemplos e técnicas para desenvolver o registro, a documentação.
Como forma de socializar o conhecimento. Para Freinet tão importante quanto o conhecimento é a socialização. Exemplos: jornal, correspondência, aula-conferência, teatro etc.
Elo entre as pessoas e o objeto de conhecimento. O afeto é indispensável na atividade de ensinar, os aspectos cognitivos e afetivos estão em constante relação.. A criança acessa o mundo simbólico e por meio de manifestações afetivas que fazem a mediação entre ela e a professora. A comunicação que se estabelece entre a criança e a professora (olhar, riso, choro,…) está significando algum desconforto ou satisfação.
Freinet considerava as invariantes como princípios no saber pedagógico que, independente do local ou período histórico, não variavam e deveriam sempre ser levados em conta em toda e qualquer prática educacional.
“As técnicas Freinet não são atualmente o que eram em 1940, pois novos instrumentos e novas técnicas vieram enriquecer e, da mesma maneira, facilitar o nosso trabalho. Igualmente, não serão em 1980, o que são hoje, se formos capazes de fomentar, juntos, os progressos técnicos indispensáveis. A Escola Moderna não é nem uma capela nem um clube mais ou menos restrito, mas, na realidade, uma via que nos conduzirá aquilo que, todos juntos, construirmos”.
Maria H. de Fátima Luchesi Martins
Por acreditar que o interesse da criança não estava na escola e sim fora dela, Freinet idealizou esta atividade com o objetivo de trazer motivação, ação e vida para dentro da escola.
A aula-passeio pode ser realizada para:
É a primeira atividade do dia, o momento onde podemos conversar e contar coisas de dentro e de fora da escola, respeitando sempre a palavra do outro. A conversa é livre, é uma fonte de informação rica para o professor observar e conhecer a criança. Nesse momento discute-se o trabalho que será realizado no dia, os ateliês e a seqüência das atividades.
É uma reunião avaliativa realizada no final de cada dia de trabalho, na qual os alunos e professor têm oportunidade de se colocarem ao nível dos trabalhos desenvolvidos no dia, dos problemas e conflitos ocorridos, das situações interessantes que vivenciaram, de avaliação e de suporte para sugerir e planejar trabalhos para o dia seguinte ou em médio prazo.
É um instrumento que reúne os aspectos sociais, afetivos e cognitivos do processo da escrita - Permite à criança a materialização e a socialização do seu pensamento através da produção de jornais, álbuns – escrita contextualizada.
O livro da vida funciona como um diário onde ficam registrados os acontecimentos do dia. É construído no final das atividades, geralmente, pelos alunos responsáveis do dia, que escrevem os acontecimentos importantes, os conflitos, as presenças e ausências, anexam trabalhos, fotos, cartas, jornal, tudo o que julgarem importante e necessário, depois ilustram as páginas do dia, com a ajuda dos colegas.. Nas classes de crianças que ainda não sabem escrever (até 04 anos) é a professora quem escreve conforme o grupo vai relatando e no final, as crianças ilustram. As crianças da pré-escola, que já sabem escrever, assumem a escrita do livro da vida. As professoras ajudam a lembrar fatos esquecidos, colaborando com os registros. Ele pode ser montado com folhas de sulfite e espiralado para facilitar o manuseio e para acrescentar páginas, se for necessário. Na capa do livro da vida, as crianças da Oca, colocam o nome da turma, fazem o auto-retrato ou colam fotos da turma. O livro da vida torna-se um acervo da nossa biblioteca. É um documento onde os alunos, os pais, os professores e os visitantes podem manusear e recordar os acontecimentos daquele ano, daquela turma.
É uma atividade em que a criança faz a aprendizagem da vida cooperativa, uma classe se corresponde com a outra. Depois dos professores terem se comunicado e organizado a forma. Podem enviar: cartas, textos, fitas, vídeos, desenhos e e-mail.
As fichas são feitas pelos próprios alunos e educadores, são organizadas em fichários por temas, fichas auto-corretivas também foram criadas para permitir que os próprios alunos se auto avaliassem.
Constitui um dos acontecimentos característicos da pedagogia Freinet. Trata de um jornal editado cooperativamente pelos alunos. O jornal escolar é suporte entre a classe, o grupo social onde ela está inserida e a comunidade. É ele que vai ajudar também a verdadeira formação cívica das crianças e dos adolescentes, porque ele oferece a possibilidade de intervir na vida da escola e até mesmo da comunidade, além de fazer com que os adultos tomem consciência de problemas ou atitudes aos quais não davam importância. É realizado por um grupo de alunos que recebem os textos produzidos por todos os setores da escola para publicar, examinam estes textos e decidem da sua publicação. Quando o texto está pronto o professor coordenador faz as correções necessárias e libera para a impressão.
A criança registra o resultado do seu trabalho em fichas de auto-avaliação que permitem comparações entre os trabalhos realizados. Segundo Freinet o aluno e o professor devem se avaliar regularmente.
Planejamento - Freinet não era um defensor do espontaneísmo em educação. Todo seu trabalho era planejado, havia objetivos a serem atingidos. Um bom planejamento, no entanto não significava uma "camisa de força". Deve-se sempre deixar espaço aberto para o inesperado, replanejando quando necessário.
Freinet pregava a troca de experiências entre professores, o estudo e a reflexão conjunta em oficinas de trabalho.
Graças à comunicação existente entre os educadores dessa pedagogia e com os avanços da informática, novas técnicas surgem e as já existentes são mais bem elaboradas.
Na Pedagogia Freinet, a Educação Infantil parte da idéia de que as crianças e os adultos possuem a mesma natureza por isso devem ser igualmente respeitados. Isso significa viver a democracia na escola infantil sob um clima de autonomia e de ordem inspirados pelo trabalho cooperativo de produção cultural. Em um clima de afeto e confiança, as crianças adquirem segurança em suas próprias capacidades expressivas, cognitivas, motoras, afetivas e sociais, em relação aos outros e ao conhecimento, vivenciando múltiplas oportunidades para o desenvolvimento da criatividade e do prazer pelo conhecimento e cultura. É nas experiências e na convivência com o outro que a criança elabora conceitos, desenvolve competências e passa a ter noções mais consistentes sobre o mundo que a rodeia, fazendo suas próprias escolhas, organizando-se frente a sua atividade individual, além de realizar reflexões em grupo.
Bibliografia para consulta:
O Método Natuaral I – a aprendizagem da língua– Célestin Freinet – editorial estampa
O Método Natuaral II – a aprendizagem do desenho – Célestin Freinet – editorial estampa;
O Método Natuaral III – a aprendizagem da escrita – Célestin Freinet – editorial estampa;
Professores da Pré-Escola em Ação – educação popular – grupo pré-escola de liège – tradução para
O português: Ruth Joffily Dias;
Marques,Carmen Silvia Ramalho. Freinet e a pré escola: o que muda? – S.Carlos S.P.UFSCar / PPGE, 1984
Sampaio, Rosa Maria
Freinet- Histórico e Atualidades.- S.Paulo, Ed. Scipione 1989